Há vários anos que plantamos árvores num pequeno terreno, dividido entre uma área plana e uma encosta íngreme e desafiadora. No topo, o vento é frequentemente forte e a areia muito seca, pelo que a maioria das plantas tem dificuldade em crescer, e embora algumas árvores tenham sobrevivido, permanecem raquíticas e castigadas pelo vento. Mais abaixo, porém, as árvores floresceram, com algumas a tornarem-se exemplares magníficos e altos.
Inicialmente, eu só queria plantar árvores nativas da região, mas as mudas eram difíceis de encontrar. Então, ampliei a ideia para árvores nativas do Brasil, mas acabei plantando algumas espécies importadas. As que plantei não são um problema, pois não se espalham, ao contrário da árvore Neem (Azadirachta indica), que eu não plantei, mas que cresce como erva daninha por aqui; passo muito tempo tentando me livrar dela. Essa espécie invasora representa uma séria ameaça às florestas nativas, pois impede o crescimento de espécies nativas devido ao seu rápido crescimento e às substâncias que libera no solo.
Ao longo desse tempo, gastei uma pequena fortuna em mudas e, sempre que possível, coleto sementes de árvores que devem se adaptar bem ao terreno. Infelizmente, a taxa de falha é bastante alta. Embora utilize sempre o máximo de composto possível, ainda estamos plantando basicamente em areia e a rega é um pouco trabalhosa, pois só temos uma bomba manual no terreno (pelo menos é um bom exercício para os braços). Durante a estação seca, bastam alguns dias sem podermos ir lá para que as mudas se transformem em gravetos secos e mortos
Na semana passada, fui buscar meu marido Neu no hospital, mas como saí um pouco mais cedo do que o necessário, parei em um grande centro de jardinagem onde encontrei, como esperava, um pau-brasil, a árvore que dizem ter dado nome ao Brasil. Este é o quinto que compro; os outros eram menores e, infelizmente, não sobreviveram. Espero que este, maior, com quase um metro de altura, tenha mais chances.
Já tínhamos algumas mudas em casa e a ICMBio1 me deu mais algumas (que eu implorava há tempos), então meu filho e eu as plantamos outro dia. Estamos na época das chuvas, que é ótima para plantar, pois ajuda muito no desenvolvimento das plantas. Aliás, as coisas crescem tão rápido nesta época do ano que meu jardim parece uma selva. Desde o plantio na semana passada, choveu praticamente sem parar. Espero que elas não se afoguem.
Plantio de árvores pelo grupo de mulheres.
Como mencionei no post anterior, participo do Grupo de Mulheres da Prainha do Canto Verde. Em uma de nossas reuniões, há algum tempo, decidimos plantar árvores ao redor da comunidade para criar áreas sombreadas, melhorar a qualidade do ar (o que soa estranho, já que somos uma comunidade pequena à beira-mar, mas temos muita poeira por aqui devido às ruas de barro) e aumentar a biodiversidade. Entramos em contato com o ICMBio solicitando uma doação de mudas, na esperança de plantá-las durante o período de chuva. Na semana passada, as mudas chegaram e o primeiro lote será plantado no centro comunitário. O grupo de mulheres vai organizar uma rotina de rega para que as árvores recebam água regularmente após o período chuvoso. A expectativa é expandir o plantio por toda a comunidade em breve.
Ontem alguns de nós realizamos os primeiros plantios no centro. Havíamos sido instruídos a chegar antes das dez, horário previsto para a chegada do ICMBio para a captura de fotos do processo de plantio. Alguns de nós chegamos com antecedência para decidir onde plantar e preparar os buracos, pois nos disseram que o ICMBio tinha uma agenda muito apertada e, portanto, não poderia ficar conosco por muito tempo.
Choveu bastante durante toda a noite, mas a chuva diminuiu no início da manhã. Será que estaria com muito calor às dez?
Assim que saí de casa, começou a chover e eu estava completamente encharcado quando cheguei ao centro comunitário, assim como os outros que chegaram mais ou menos na mesma hora que eu. A chuva foi perfeita para as árvores — mesmo que não tenha sido tão boa para nós!
Havia obras de renovação no centro comunitário, então tínhamos limitações quanto aos locais onde podíamos plantar. Não fazia muito sentido plantar árvores que seriam pisoteadas, e não era justo com os trabalhadores esperar que evitassem as árvores recém-plantadas. Cavamos seis ou sete buracos em linha em um dos lados do centro, colocamos um pouco de composto nos buracos e esperamos a ICMBio chegar. E esperamos.
Às dez horas uma integrante do ICMBio, que mora perto, chegou, mas nos disse para esperar pelos outros que estavam a caminho. Esperamos.
Esperar é algo a que estamos acostumados e geralmente aceitamos, já que é raro as coisas começarem na hora marcada por aqui, mas estávamos encharcados e com frio, e não havia sinal de que a chuva fosse parar. Mais alguns membros da ICMBio chegaram, mas começaram uma reunião no centro e disseram que deveríamos esperar por outra pessoa que estava a caminho. Finalmente, pedimos a um deles, qualquer um deles, que viesse tirar uma foto conosco plantando as mudas nos buracos que tínhamos cavado.
Fotografias cedidas por Larissa Gomes e Samille Gomes
Árvores plantadas, fotos tiradas, trabalho bem feito!
Partimos para casa e, claro, a chuva parou logo depois.
Prainha do Canto Verde é uma reserva extrativista (RESEX) e – O ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) é uma autarquia federal brasileira responsável por gerir as Unidades de Conservação (UCs) federais, proteger a biodiversidade e fiscalizar áreas naturais. Nas Reservas Extrativistas (RESEX), o órgão atua garantindo o uso sustentável dos recursos, conciliando a conservação da natureza com a proteção dos meios de vida e cultura das populações tradicionais. (Gov.br)


















Eu gostei muito da forma que foi colocado cada detalhe 👏👏
Obrigada ❤️